A dinâmica imobiliária de Habitação de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP) na região central de São Paulo: muita produção e pouca solução

Nome Completo:

Larissa Werneck Capasso

Unidade da USP:

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design

Programa de Pós-Graduação:

Arquitetura e Urbanismo

Nível:

Mestrado

Resumo:

A crise habitacional no Brasil mostra problemas profundos da forma como as cidades crescem e se organizam. A moradia depende muito do mercado imobiliário, e as ações do poder público muitas vezes seguem interesses econômicos, o que acaba reforçando desigualdades e separando grupos sociais no espaço urbano. Durante décadas, as políticas de habitação focaram principalmente em financiar a construção de casas e apartamentos, sem enfrentar questões mais amplas, como localização, qualidade e acesso real para quem mais precisa. Em São Paulo, esses problemas aparecem com força na região central. Ali existe boa infraestrutura, muitos empregos e serviços, mas também um processo rápido de valorização dos terrenos. Isso atrai diversos projetos de "revitalização" que, na prática, podem favorecer interesses privados e provocar a saída de moradores de baixa renda. Por isso, entender que tipo de habitação social está sendo construída no centro – e para quem ela realmente serve – é fundamental. A pesquisa que deu origem a dissertação "A dinâmica imobiliária de Habitação de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP) na região central de São Paulo: muita produção e pouca solução" analisou os empreendimentos licenciados no centro entre 2014 e 2021 que incluíam Habitação de Interesse Social (HIS) e/ou Habitação de Mercado Popular (HMP). O objetivo foi compreender como são essas unidades e empreendimentos e avaliar se atendem às diferentes necessidades de moradia. Embora parte dessa avaliação envolva interpretações complexas, a combinação entre dados, análise dos projetos e localização ajuda a produzir uma visão mais completa do fenômeno. Depois de apresentar os principais conceitos sobre política habitacional e produção do espaço urbano, a dissertação avança para uma análise prática dividida em três partes: identificar as características dos empreendimentos licenciados; tentar entender qual é o provável público-alvo dessas moradias; e observar semelhanças e diferenças dentro do próprio centro da cidade. A pesquisa parte da ideia de que, mesmo sendo classificados como habitação social e popular, esses empreendimentos apresentam grande variedade, influenciada pelo local onde estão, pelo tamanho dos terrenos e pelo perfil dos responsáveis por sua construção – quase sempre do setor privado, mas com formas distintas de atuação. Os resultados sugerem que pode haver um descompasso entre os objetivos da política habitacional e as necessidades reais da população. Isso reforça a importância de estudos que ajudem a melhorar e orientar as políticas públicas para que atendam efetivamente quem mais precisa de moradia.