Nome Completo:
Alessandro Hissayoshi Suzuki Yamada
Unidade da USP:
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design
Programa de Pós-Graduação:
Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo
Nível:
Mestrado
Resumo:
A pesquisa busca entender a relação profunda entre o cinema e a arquitetura, focando em como essas duas áreas se conectam na nossa vida e na nossa subjetividade. O ponto central é a experiência humana — aquele momento em que nosso corpo, o lugar onde estamos e a forma como nos movemos por ele se juntam para criar algo novo e significativo. Essas experiências não são apenas físicas: elas geram ideias, recuperam lembranças e nos fazem visualizar imagens e sentir emoções. Neste sentido, a arquitetura e o cinema se encontram: ambos criam "histórias" que se desenrolam com o passar do tempo e na ocupação do espaço. Para explorar isso, a pesquisa se aprofunda em conceitos que ajudam a entender como uma disciplina se funde na outra. No cinema, a ideia de montagem, proposta por Sergei Eisenstein, é fundamental. Ela mostra como a justaposição de imagens cria um novo sentido, metafórico, evocativo e experiencial. Na arquitetura, as noções de "caminhada arquitetônica" (promenade architecturale) e "drama-arquitetura", de Le Corbusier, mostram como o movimento pelo espaço pode contar uma história, evocando uma série de emoções. Esses conceitos formam a base teórica para investigar a ligação entre as duas áreas, especificamente durante o século XX. Esse foi um período de grande crescimento para o cinema, que influenciou a arquitetura, da mesma forma que a arquitetura deixou sua marca no cinema. O estudo analisa projetos e filmes específicos para sustentar a hipótese principal. Dentre os exemplos, estão projetos de arquitetura como a Villa Savoye, de Le Corbusier, um clássico da arquitetura moderna e da promenade architecturale; a Maison à Bordeaux, de Rem Koolhaas, que propõe um espaço em constante reconfiguração; e a reconstrução da Potsdamer Platz, em Berlim, um estudo de espaço urbano e renascimento da cidade. Complementam a análise os filmes Koolhaas Houselife, de Ila Bêka e Louise Lemoine, que oferece um olhar íntimo sobre a vida na Maison à Bordeaux; e Asas do Desejo, de Wim Wenders, que explora uma cidade importante para o século XX e a experiência humana a partir de uma perspectiva única. A pesquisa conclui que, em boa parte do século XX, a arquitetura atuava como uma forma de nos conectar com o mundo através das histórias que seus espaços contavam. No entanto, ao entrar no século XXI, essa maneira de contar histórias parece mudar de foco e significado.