Nome Completo:
Gabriel Chiarotti Sardi
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - FFLCH
Programa de Pós-Graduação:
Filosofia
Nível:
Doutorado
Resumo:
Minha pesquisa investigou duas explicações científicas sobre a origem das doenças infecciosas: a teoria dos germes de Louis Pasteur e a teoria das microzymas, proposta por Antoine Béchamp no século XIX. Enquanto a versão de Pasteur se tornou mundialmente aceita e influenciou toda a medicina moderna, a proposta de Béchamp foi deixada de lado e quase esquecida. O que meu trabalho mostra é que, quando analisamos essas duas teorias de forma rigorosa, comparando seus argumentos, seus critérios e sua capacidade de explicar os fenômenos biológicos da época, a teoria de Béchamp cumpria mais requisitos filosóficos e científicos do que normalmente se reconhece. Em alguns pontos, ela se mostrou, em tese, mais consistente do que o modelo adotado por Pasteur — o que exige repensar a forma como pensamos o processo de escolha de teorias ao estudar a filosofia e a história da ciência. Essa análise levou a um resultado importante: o modelo filosófico mais usado para justificar a escolha de teorias na ciência, chamado "inferência da melhor explicação", não funciona bem quando aplicado ao caso Pasteur–Béchamp. Se levarmos a sério os critérios da própria inferência da melhor explicação (como coerência, conservadorismo, alcance explicativo e poder unificador), perceberemos que a teoria historicamente vencedora não era necessariamente a que melhor satisfazia esses critérios. Isso mostra que nossa forma tradicional de pensar sobre como os cientistas escolhem teorias precisa ser revista, dada sua complexidade e que devemos incorporar valores de ordem social, política ou econômica em nossas análises filosóficas e históricas.