O que a USP está fazendo com os seus pós-graduandos

Reprodução: Jornal do Campus - 27 de maio de 2018 Redação JC

 

Carlos Carlotti comenta medidas de acolhimento e diz que estudantes podem colaborar com diagnóstico de quem precisa de bolsa e não tem

 

por Raphael Concli

 

“Eu vejo muitos alunos de pós saindo que não conhecem a USP, mesmo tendo ficado aqui três ou quatro anos. Ele conhece o laboratório, o professor. Eu acho que uma tarefa e uma dificuldade que a gente tem é integrar esse aluno mais à universidade com amplitude de ações não só científicas e acadêmicas” — Carlos Carlotti, pró-reitor de pós-graduação.

Com mais de 30 mil alunos de pós-graduação, é difícil imaginar na USP o acesso individualizado a todos, em especial numa fase menos coletiva que a graduação. A própria ideia de vida acadêmica é com frequência associada apenas à rotina trabalho de estudo e pesquisa, e não a uma vivência mais ampla da universidade. Nessa entrevista ao JC, o pró--reitor de pós-graduação aponta algumas iniciativas da entidade.

 

Integração

O ingresso na pós-graduação pode ser tão novo quanto passar no vestibular, em especial para quem vem de fora. Neste sentido, uma das iniciativas da pró-reitoria foi a criação de um curso online de introdução a pós-graduação. Em suas 17 aulas, aspectos básicos da vida na USP são explicados, como o funcionamento do bandejão; quais bolsas existem; possibilidades de internacionalização; noções sobre ética na pesquisa; e até mesmo como funciona o sistema online de matrícula.

Esse foi o começo de um melhor acolhimento, diz o pró-reitor. Outras ações também estão em vista. Considera-se a criação de um horário fixo com supervisor nas praças esportivas da universidade e a realização de corridas de revezamento por equipes aos finais de semana como forma de socialização entre estudantes. As ideias vêm sendo pensadas com professores das Escolas de Educação Física de São Paulo e de Ribeirão Preto.

Atividades culturais como teatro, cinema e música com estímulo à presença de pós-graduandos também são consideradas. Segundo Carlotti, a pró-reitoria não pode criar, mas sim usar a infraestrutura da universidade para provocar unidades a realizarem atividades.

 

Acolhimento psíquico e mentoria

A alta incidência na comunidade acadêmica de problemas psíquicos como depressão é lembrada pelo pró-reitor. Segundo diz, as atividades físicas e culturais surgem como tentativas de se aprimorar a difícil prevenção. “Outra coisa que nós precisamos é criar um mecanismo de identificação precoce do que está acontecendo”. Um escritório de acolhimento desse tipo que vise toda a comunidade universitária está sendo criado, afirma Carlotti. O objetivo é produzir uma avaliação inicial e um perfil de risco, pois não há condição de fornecer tratamento contínuo a todos.

A relação entre orientador e aluno também está entre as preocupações da pró-reitoria. A ideia é qualificar professores para que atuem como mentores, atentos não só a aspectos acadêmicos, mas também aos emocionais e comportamentais dos estudantes. Professores da Faculdade de Economia e Administração (FEA) fizeram propostas a pró-reitoria neste sentido, a partir de experiências com metodologias empregadas no mercado de trabalho como coaching e mentoring. “Agora, não é fácil, porque isso é uma mudança cultural”, aponta Carlotti.

 

Bolsas

As bolsas de pesquisa para pós-graduandos não são fornecidas diretamente pela universidade. Elas vêm de órgãos que financiam a pesquisa, como Capes e CNPq, que as concedem aos programas para que sejam repassadas aos alunos. Há também a bolsa Fapesp, obtida por solicitação junto à instituição.

Entretanto, a pró-reitoria recebe da Capes um número de bolsas conhecidas como emergenciais, que podem ser distribuídas a alunos que não conseguiram bolsa pelo programa de pós em que estão. Sua distribuição obedece a critérios sócio-econômicos de classificação dos candidatos. No momento, o pró-reitor busca descobrir com o departamento jurídico da universidade se é possível implementar um equilíbrio de gênero dentre os critérios, o que igualaria a distribuição das bolsas entre homens e mulheres.

No caso do doutorado, há de cinco a 10 bolsas sobrando, diz Carlotti. Há uma limitação, porém. A bolsa emergencial só pode ser dada a alunos cujos programas tenham nota de 3 a 5, enquadrados pela Capes no chamado Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap). Alunos de programas de excelência (Proex), aqueles com notas 6 e 7, as máximas, não podem solicitar a bolsa emergencial.

Embora muitos alunos prefiram não ter bolsa por trabalharem, há outros que precisam e não têm. Essa conta não é clara para a pró-reitoria, reconhece Carlotti, dada dificuldade em obter os números precisos com cada programa de pós. “Esse é um dado que os alunos poderiam me ajudar”.

 

Fonte: Jornal do Campus


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