Histórico da Pós-Graduação

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Vista aérea da Cidade Universitária "Armando de Salles Oliveira", em São Paulo, na década de 60

Na Universidade de São Paulo, “os estudos pós-graduados remontam aos anos 40, quando surgiram os primeiros regulamentos específicos para o doutoramento, a começar pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1942, ano em que colaram grau os primeiros doutores”, nas palavras do professor Américo Paschoal Senise, que esteve à frente da Câmara de Pós-Graduação e coordenou a Comissão de Estruturação de Cursos de Pós-Graduação. Segundo Paschoal Senise, recentemente falecido aos 93 anos, “na década de 60, algumas faculdades instituíram também cursos de mestrado”.

Em fevereiro de 1969, com base no chamado Parecer Sucupira (Parecer 977), aprovado pelo Conselho Federal de Educação em dezembro de 1965, e com a edição da Lei 5.540, de novembro de 1968, o CFE estabeleceu normas para a organização, funcionamento e credenciamento dos cursos de Pós-Graduação no país. Na Universidade de São Paulo, a Pós-Graduação foi implementada já em 1969, respondendo majoritariamente, desde então, pela formação de recursos humanos em Ciência e Tecnologia e, atualmente, por 28% da produção científica brasileira.

A criação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação deu-se conjuntamente com as outras três da Universidade, a saber, Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária, em 1988. Esta iniciativa está diretamente vinculada à reforma estatutária, e seu objetivo precípuo foi o de gerar maior interação entre as Unidades da USP, ficando as Pró-Reitorias revestidas da missão de órgãos executivos, a cada uma correspondendo um Conselho encarregado da normatização de seus procedimentos. As primeiras sessões para instalação dos Conselhos Centrais das quatro Pró-Reitorias aconteceram durante o mês de março de 1989.

Pró-reitores

De acordo com o primeiro Pró-Reitor de Pós-Graduação (março de 1989 a março de 1992), professor do Instituto de Ciências Biomédicas Oswaldo Ubríaco Lopes, “a criação das Pró-Reitorias foi meio complicada no Conselho Universitário; afinal, a USP não era uma Universidade comme les autres”. Por isso, conforme reflexão da época, “não é possível que haja um único pró-reitor para Pesquisa e para Pós-Graduação. Quem quer que seja, vai cuidar só da Pós-Graduação, que na USP era e é complexa e de tamanho descomunal. Vingou a ideia e ficaram quatro Pró-Reitorias”, define Ubríaco.

Coube ao professor Franco Maria Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, suceder a Ubríaco (março de 1992 a agosto de 1993). “Olhando estes dois anos [em que esteve à frente da PRPG] com olhos de hoje sou tentado a acreditar que na universidade moderna a pós-graduação é uma espécie de microuniversidade: nela se concentram objetivos e procedimentos que, com maior ou menor ênfase e extensão, manifestam-se em todas as instâncias universitárias. Mas talvez essa visão, ao mesmo tempo abrangente e simplificadora da pós-graduação, seja filtrada pela visão integrada que o exercício da vice-reitoria proporciona”, afirmou Lajolo, que atuou como vice-reitor na gestão da Professora Suely Vilela à frente da Universidade.

Naquele início dos anos 1990, segundo Lajolo, as inúmeras diretrizes de gestão envolviam a formação dos melhores quadros docentes e de pesquisa, procuravam a internacionalização da Universidade, buscavam a integração e a articulação entre graduação e pós-graduação, além de valorizar vigorosamente a iniciação científica e o doutorado direto e estimularem a interdisciplinaridade e favorecer a divulgação da produção universitária.

Em foto datada de 2004, (da esq. p/dir.) Paschoal Senise, um dos principais responsáveis pela implantação da Pós-Graduação na USP, ao lado dos Pró-reitores Suely Vilela, Franco Maria Lajolo, Adolpho José Melfi, Oswaldo Ubríaco Lopes, Hector Francisco Terenzi e Moacyr Antonio Mestriner

“São todos tópicos ainda hoje na pauta da gestão universitária. A internacionalização, por exemplo, era buscada – como ainda hoje – pela valorização do doutorado sanduíche e do pós-doutorado; a descentralização se traduzia por atribuir maior autonomia aos programas melhor avaliados. E a difusão da produção da USP se fazia por meio do programa teses em debate. Não tínhamos ainda o Banco de Teses online que temos hoje e recursos como o IPTV”, diz Franco Maria Lajolo.

O terceiro Pró-Reitor de Pós-Graduação (pro-tempore, no período de agosto de 1993 a dezembro do mesmo ano) foi o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Moacyr Antonio Mestriner, que destaca o apoio decisivo do professor Goldemberg na reforma estatutária, aprovada pelo Conselho Universitário, a qual permitiu a criação dos Conselhos Centrais e, no caso da Pós-Graduação, o trabalho do professor Ubríaco.  “Constituem fatos determinantes na evolução e ratificação, não só do modelo de pós-graduação stricto sensu, com mestrado e doutorado, como também no delineamento do caminho da pós-graduação rumo ao futuro que ainda estamos percorrendo e adequando, a cada dia, aos novos tempos”, considera o ex-pró-reitor.

No período seguinte ao de Mestriner (de dezembro de 1993 a abril de 1998), assumiu a Pró-Reitoria o professor Adolpho José Melfi, reitor da USP entre 2001 e 2005. Ele afirma que uma série de circunstâncias, tanto internas quanto externas, facilitaram suas atividades na PRPG. Entre elas, a recuperação econômica do país, o apoio emprestado pelo governo federal ao Sistema Nacional de Pós-Graduação, materializado pelo aporte de recursos e pela reestruturação da Capes, que passou a fomentar políticas de apoio à infraestrutura de pesquisa e de pós-graduação das universidades, aumentando significativamente o número de bolsas para pós-graduandos, e, também, vinculando o valor das bolsas ao salário do docente das universidades federais. “Essas medidas, associadas a um bem estruturado programa de avaliação, foram responsáveis pelo importante salto qualitativo apresentado pelo Sistema”, diz Melfi.

O novo Pró-Reitor de Pós-Graduação foi o professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do campus de Ribeirão Preto, Hector Francisco Terenzi (abril de 1998 a novembro de 2001). Ele destaca que durante sua gestão a Pós-Graduação na USP progrediu quantitativa e qualitativamente. “Em 2000, por exemplo, a USP foi responsável pela titulação de 30% dos doutores (1.827 titulados) e 25% dos mestres (2.733 titulados) de todo o Brasil”, garante.

Terenzi acrescenta que o desempenho do Sistema Nacional de Pós-Graduação, durante o biênio 1996-1997, foi avaliado pela Capes em 1998. A avaliação incluiu 1.293 programas e utilizou uma nova sistemática de conceitos em escala de um a sete. Nessa escala, programas com nota três ou superior foram aprovados e aqueles com nota seis ou sete foram considerados de excelência de nível internacional. “A Pós-Graduação da USP, com 209 programas, mostrou excelente desempenho”, comemora Hector Francisco Terenzi. “Em 2001 a Capes avaliou 1.544 programas, em todo o Brasil, correspondendo à USP 212 deles. Novamente o desempenho da Universidade de São Paulo foi excelente, comparado com as melhores universidades brasileiras”.

A professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Suely Vilela (à frente da Pró-Reitoria no período de dezembro de 2001 a novembro de 2005) relembra os desafios iniciais que enfrentou. “No momento em que assumi a Pró-Reitoria, alguns desafios eram patentes, o maior deles, a qualidade dos programas de Pós-Graduação”. Segundo a ex-reitora, não se poderia admitir que a USP concentrasse porcentagem significativa de programas com conceito regular, tampouco possuísse parcela representativa de programas com conceito bom. Considerava-se, também, que os programas classificados como de excelência poderiam ser aprimorados se lhes aumentasse significativamente o nível de inserção internacional. “A internacionalização dos programas representava, assim, outro grande desafio a ser enfrentado”, assegura.

“As ações implementadas em minha gestão tiveram, portanto, como pressuposto o compromisso com a qualidade e com a internacionalização”, afirma Suely Vilela.

O professor do Instituto de Física, Armando Corbani Ferraz, capitaneou a Pró-Reitoria entre 2005 e 2009. Para ele, a pós-graduação é fundamental para a formação de recursos humanos com padrão de excelência em todas as áreas do conhecimento. “Atualmente”, afirma Corbani, “somos responsáveis por 28% da produção científica nacional, por 33% dos programas de pós-graduação de excelência e quase um quarto das teses de doutorado no país. O reflexo desse aprimoramento já é evidente”.

Para ele, as conquistas realizadas pela Pós-Graduação da USP precisam ser preservadas e aprimoradas. “Nesse sentido, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação deve se manter como uma base de apoio da Universidade para tal propósito. Ações e procedimentos estratégicos, em consonância com os programas da Universidade em suas mais diversas áreas, devem ser delineados para assegurar o constante aprimoramento da Pós-Graduação, estimulando, induzindo e fomentando a pesquisa de qualidade e os trabalhos na fronteira do conhecimento. Assim, é imperativo que sejam garantidas todas as condições, pautadas em ações necessárias para dar qualificação sustentada ao Sistema, para que alunos e docentes dos programas de Pós-Graduação desenvolvam suas potencialidades na criação científica, tecnológica e cultural, gerando novos conhecimentos e trabalhos de fronteira através de dissertações e teses inovadoras” conclui Corbani.

Fontes bibliográficas

Vinte Anos da Criação das Pró-Reitorias na Universidade de São Paulo, organização de Paulo Cesar Xavier Pereira, Edusp, 2008.

A pós-graduação na Esalq – 40 anos de história, editado por Clarice Garcia Borges Demétrio e Maria Lucia Carneiro Vieira, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, 2004.

Construindo o Futuro – 35 anos de Pós-Graduação da USP, organização de Shozo Motoyama, Editora Parma Ltda., 2004.

(Fotos: Acervo do Jornal da USP e USP Banco de Imagens)